Sou um artista da arte não existente na arte. Sou a arte nos olhos dos leigos. Sou abstrato da vida concreta, imaginário, ilusão da razão. Sou aquele que em ti não confia. Sou aquele que realmente acredita que de teus lábios belos e delicados não brotam verdades, e mesmo assim, esperançosamente acredita em tua profecia.
Sou um artista morto por viver demais. Sou a morte que fertiliza o primeiro ar tragado pelos teus pulmões, matando-te a partir daquele momento.
Sou a escultura feita de órgãos, amontoados, encaixados, esculpidos por mãos invisíveis. Sou uma alma esculpida pelo meu caráter. Sou uma música tátil, sou um instrumento ainda não tocado, inocente, arranhado pelo tempo, mas de essência virgem, casto.
Sou uma tela, um pano, um nada. Sou tudo o que tu poderias ter. Sou um ator, uma atriz, um usurpador de mim mesmo. Sou um fantasma de tuas crenças. Sou tudo em ti e tu não és nada
