domingo, 29 de abril de 2007

Sou a Arte e o Artista

.("Improvisação 6" - Wassily Kandinsky)


Sou um artista da arte não existente na arte. Sou a arte nos olhos dos leigos. Sou abstrato da vida concreta, imaginário, ilusão da razão. Sou aquele que em ti não confia. Sou aquele que realmente acredita que de teus lábios belos e delicados não brotam verdades, e mesmo assim, esperançosamente acredita em tua profecia.

Sou um artista morto por viver demais. Sou a morte que fertiliza o primeiro ar tragado pelos teus pulmões, matando-te a partir daquele momento.

Sou a escultura feita de órgãos, amontoados, encaixados, esculpidos por mãos invisíveis. Sou uma alma esculpida pelo meu caráter. Sou uma música tátil, sou um instrumento ainda não tocado, inocente, arranhado pelo tempo, mas de essência virgem, casto.

Sou uma tela, um pano, um nada. Sou tudo o que tu poderias ter. Sou um ator, uma atriz, um usurpador de mim mesmo. Sou um fantasma de tuas crenças. Sou tudo em ti e tu não és nada em mim. Sou um homem, um demônio, um ser das trevas embebido em luzes, um anjo, uma mulher. Sou quem eu quero porque sou um artista. Sou todas as pessoas, todos os que conheço. Só não sou tu, porque quero que sintas o que sinto. Quero que tu te ames, e amando-te ame-me, e então nos tablados da vida construiremos nosso cenário, faremos dos nossos dias nosso picadeiro. Não seremos felizes para sempre, porque essa história sou eu quem escrevo. Seremos felizes somente enquanto desejarmos, porque é assim que se morre, e é assim que as histórias dementes realmente terminam. Na morte.

Reggys Coutinho